As coisas começaram a melhorar pra nós naquela semana. Eu voltei pra casa e levei ela, conversamos como bons amigos. Sem pressão, sem conversas indesejadas. Um papo leve, tranquilo. Combinamos um jantar no hotel dele no meio da semana. Ela foi ver Pedro e eu fiquei olhando ela com ele. Era carinhosa, delicada, como sempre foi. Trocamos olhares e somente olhares. Ela não tinha ido até onde eu estava falar algo para pressionar sobre nós, e me perguntei se a menina mimada estava amadurecendo aos poucos. Resolvi não criar expectativas. Naquela noite pensei muito sobre minha atitude de tirar Pedro dela. Imaginei ela fazendo o mesmo comigo, e vi que tinha errado muito nesse ponto. Resolvi pedir desculpas no dia seguinte no jantar. E assim aconteceu. Levei Pedro pra passear durante o dia e a noite me arrumei indo pro hotel. Minha entrada estava liberada e eu subi um pouco nervoso. Bati na porta e logo ela abriu sorrindo. Aquilo parecia anos atras, quando namorávamos ainda.
- Oi Lu, entra. - Ela me deu passagem.
Cumprimentei com um beijo no rosto e na hora sinto a necessidade enorme de abraça-la. Acho que ela também precisava daquilo. Estávamos bem, era mais fácil assim, deixando as coisas acontecerem. Eu tinha que confessar que a única coisa que me impedia de me entregar, era a falta de confiança. Ela teria trabalho com isso.
- Eu pedi comida pra gente, ta chegando. - Ela disse quando sentei na cama, abaixando no frigobar. - O que vai querer?
- O que você tem ai? - Ri.
- Bom, eu pedi comida italiana, fui no mercado mais cedo e vi aquele vinho que você gosta, lembrei de você. Mas pedi pra eles trazerem junto com a comida. Então tenho algumas coisas aqui...
- Eu quero água...
- Água? Não quer outra coisa?
- Não, pode ser isso por enquanto. Estou com sede.
- Toma. - Ela trouxe pra mim e sentou ao meu lado. Virei, ficando de frente pra ela. - Como está Pedro?
- Bem, fui passear com ele hoje. Fez uma meleca com o sorvete no meio do shopping, você num tem noção. - Eu ri lembrando.
- Pedro é desastrado como eu. - Ela gargalhou.
- Igualzinho Ju, eu fiquei sem saber o que fazer. Ele começou a chorar... - Nós dois riamos muito, enquanto eu contava. - Eu tentando fazer com que ninguém me reconhecesse... - Me soltei sem perceber. Estava leve, e minha risadas eram sinceras.
- E ai?
- Peguei ele no colo e sai correndo.
- E o sorvete?
- Ficou lá no chão. - Ri.
- Luan! - Ela me repreendeu se divertindo.
- Serio, queria que eu fizesse o que?
Meu telefone tocou em cima da cama, do nosso lado. Apareceu o nome, "Flavinha". Era uma menina muito legal de Londrina mesmo que eu estava conhecendo. Ficamos algumas vezes, mas nada demais. Ela era bacana, bonita, gostosa, mas não era a Juliana. Olhamos pro telefone, depois olhei pra ela. Esperava um ataque, ou um critica sequer. Era o que se podia esperar de alguém mimada como ela. Mas não foi isso que aconteceu.
- Não vai atender? - Ela perguntou sorrindo.
- Claro.
Lembrei da historia de sinceridade total entre a gente. Ela estava se esforçando, faria isso também.
- Oi Flavinha...
- Oi Lu, tudo bem? - Estava alto, Juliana podia ouvir.
- Tudo bão e você?
- Tudo bem nego. Você ta em Londrina né?
- To sim, por que?
- Vem dormir aqui em casa...
- Flavinha, eu não posso. Eu to jantando com uma pessoa.
- Ag, entendi. Desculpa, eu não sabia. Não atrapalhei não né?
- Não, tranquilo. Eu preciso falar com você depois.
- Tudo bem, passar aqui amanhã.
- Vou almoçar com Pedro, pode ser antes do almoço?
- Pode, só bate aqui.
- Tudo bem, eu vou.
- Vem, vou desligar, beijos lindo.
- Beijos Flavinha.
Ela desligou e eu fiz o mesmo. Olhei pra Juliana e comecei a falar:
- Ela é...
- Luan! - Ela me interrompeu. - Você não me deve satisfações.
- Tem razão, mas eu acho que combinamos assim, transparencia e sinceridade. Eu e a Flavia estamos nos conhecendo. Conheço ela á alguns meses, depois que a gente se separou. A gente já ficou, ficamos sempre pra falar a verdade, eu já... Dormi com ela. Mas nada a mais que isso. Ela é muito legal, bonita, gostosa, mas ela não é você Juliana. Por que se não, acho que poderiamos tentar algo.
- Eu não sei se é bom ou ruim ouvir isso.
- Bom? - Erguia a sobracelha pra ela.
- É, é sim. - Ela sorriu.
- A gente pode conversar?
- Claro, o que?
- Eu quero te pedir desculpas. - Peguei nas mãos dela. - Sei que te fiz sofrer muito te tirando o Pedro, sei que essa foi a pior coisa que eu podia fazer e bom, eu fiz. Me desculpa.
- Ta tudo bem agora Luan.
- Tem certeza?
- Absoluta.
Ela sorriu e bateram na porta com nosso jantar.
Amooors, postando. Não vai dar pra editar, amanhã eu posto mais, desculpa a demora... Posto depois de 7 comentários...